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sábado, 14 de abril de 2018

Deficiência visual relacionamento com a Família e namoro

Gostaria que pudéssemos falar mais sobre o relacionamento de cegos e amblíopes com familiares normovisuais e sobre a interacção familiar entre os próprios deficientes dentro da família ou mesmo no namoro. Muitos de nós, senão todos, vivemos no meio de familiares normovisuais. Esposas, Maridos, Namorados,Filhos, Etc. Essa interacção traz questões específicas que podem ser analizadas por cada um de nós. Seja na perspectiva de se pedir uma opinião; seja na perspectiva de se dar uma ajuda, talvez a conversação sobre este tipo de questão pudesse auxiliar, tanto aos dificientes visuais, quanto aos que com eles compartilham a vida mais de perto.

Longe de mim a ideia de se iniciar aqui algum consultório sentimental! Penso, porém, que talvez pudéssemos ir conversando, para proveito de todos, sobre temas como este: Será que uma pessoa cega ou amblíope deve encarar a possibilidade de uma relação sentimental com alguém normovisual de modo negativo, ou verificar-se-á que as relações entre pessoas com o mesmo tipo de deficiência se revelariam menos aconselháveis? Que sujestões poderiam dar os cegos e amblíopes com mais experiência de vida aos jovens deficientes que começam agora a preparar o seu futuro?

Que tipo de problemas costumam surgir nas relações entre pessoas com a mesma classe de deficiência? Que classe de dificuldades costumam vir ao de cima em relacionamentos entre uma pessoa deficiente visual ou cega com outra que não o seja? Como resolver ou prevenir tais situações difíceis que possam ecludir? Que vos parece, valerá a pena falar destes temas? Valerá a pena criar um novo forum no ler para ver sobre este assunto?

Jorge TeixeiraRealmente, os problemas de relacionamento em ligações onde existe deficiência visual são, em muito, comparáveis aos que se verificam em relacionamentos entre normovisuais. E, concordo, se o amor que une as pessoas é suficientemente estável e profundo, tudo pode ser resolvido. Quanto ao paternalismo dos amblíopes sobre os cegos totais, também já o testemunhei, mas tenho visto cegos saberem, tranquilamente, ocupar o seu lugar, quer numa relação, quer num contexto profissional ou em outros. Há, todavia, obstáculos para que isto aconteça, quer no campo das relações inter-pessoais, quer em outros. Que poderão fazer os cegos e os amblíopes para se tornarem parceiros cada vez mais equivalentes em cenários onde poderiam, à luz da interpretação do senço comum, estar em desvantagem? Haverá algum tipo de forma de agir, de pensar, de falar, de estar, que possa auxiliar um deficiente a ser cada vez mais bem aceite?


Bom, na verdade há sempre um pouco de tudo em cada história que li.
Eu mesmo ano passado, passei por isso na parte amorosa.
Em 2008, fui a um passeio no
Ceará, pois minha família é de lá.
Aí comecei a namorar uma moça, ficamos juntos lá e quando eu voltei, falei para ela que iria-mos manter contato e consequentemente o namoro.
Mas, logo logo, começaram os impedimentos, tanto do lado de minha família e do lado da família dela...
Ela veio no final de 2008 para São Paulo, que é onde eu moro.
Foram 20 dias de muito amor e promessas, que infelizmente depois se arruinaram devido tantas coisas...
Uma delas, foi a preocupação tanto de minha família quanto da dela, de como seria nossa convivência, uma vez que ela tem um garotinho de 8 anos.
Para resumir a história, nosso namoro terminou, como eu temia que acontecesse...
Sei que a decisão de acabar partiu dela, mas tenho a plena certeza de que não faltaram comentários infelizes e desgraçados, com relação ao nosso relacionamento...
A família, superproteje, e tem sempre o conseito de que seus filhos deficientes, tem de arranjarem não uma esposa, e sim uma santa....
Pois, querem que a gente seja bem cuidado como se fôssemos eternas crianças....
É difícil, mas bola para a frente!

não sei se é negativismo ou pura realidade, queiram ou não, mas infelizmente a maioria das pessoas são preconceituosasinhas. Quando preciso de tratar de documentos ou quando vou comprar 2 bilhetes para viajar, perguntam sempre: Olhe, o seu marido também é cego, não é? Hello!!! Será que para o caso, têm alguma coisa a ver com isso? Mas as pessoas não deficientes apreciam muito os portadores de deficiência não pela sua personalidade ou maneira de ser, mas sim porque são deficientes e ("coitadinhos") até sabem viver normalmente... Mas quanto a escolherem para seu cônjuge alguém "assim"... E depois? O que é que os "sogros" diriam? E as tias mais conservadoras? Há tanto para dizer sobre isso, mas sejam quais forem as opiniões, são sempre pessoais e por vezes muito diversas.....

Bom dia, não é meu hábito entrar em foruns e comentar, mas este tema diz-me muito e por isso...
Sou cega desde muito pequena é há algumas coisas que eu gostava de partilhar.
Sim é verdade, os sogros, as tias e também muito importante os amigos condicionam bastante uma pessoa a assumir uma relação com uma pessoa cega, especialmente se for mulher, e depois quém faz as coisas lá em casa? É que na óptica dos preconceitoosos a mulher cega não serve para criada, que aé a visão que essas pessoas tão inteligentes têm de uma esposa.
No entanto nem se preocupam em conhecer a pessoa e as suas capacidades.
Isso aconteceu-m algumas vezes ao longo da minha vida.
Agora tenho uma pessoa que me aceita sem reservas nem vergonhas, mas... é bem mais novo que eu. E lá vem outra vez o preconceito, desta vez da parte da minha família e amigos, que não entendem que eu já fui vítima disso mesmo.
O preconceito existe, temos é de saber se conseguimos lidar com ele ou não. Eu sempre achei que sim, mas agora como são os meus próximos que me atacam, já não sei. r

responder

Obrigada António pelo seu apoio e pelo humor com que o demonstrou.
Vivo em Elvas, cidade com cerca de 30 mil habitantes, na qual todos se conhecem e todos falam de todos e o argomento que me deita a baixo é quando a minha mãe me diz "Somos uma família humilde mas que sempre foi respeitada e nunca ninguém falou de nós e agora as pessoas comentam que tu andas com um rapaz mais novo".
E eu sinto-me um monstro que mancha a honra da família.
Só tenho pena e já o disse à minha mãe que quando as pessoas diziam "Coitadinha é ceguinha" ela nunca se importou.
Não sei o que vou fazer, se vou aguentar mas por enquanto não penso desistir de quem quer estar comigo, é raro o dia que não choro por causa disso, mas vamos ver.
Obrigada pelo apoio

Quando se ama alguém, vive-se algo muito significativo nas nossas vidas e não é por causa de diferenças de idade que se deve romper um namoro, nem por imposição familiar ou de amigos, pois os amigos que o são de facto importar-se-ão exclusivamente com a sua felicidade e irão respeitar e apoiar incondicionalmente as suas decisões. Comigo assim tem sucedido. Por outro lado, deve pensar que qualquer família quer o melhor para os seus filhos e, nessa medida, só lhes pode fazer entender, que o melhor para si não tem que ser o melhor para eles e se eles escolheram ter a vida que têm, a Isabel tem todo o direito a fazer o mesmo. Mas nunca se esqueça de dizer, algo importante: "Aos olhos de Deus, todos são iguais e nunca foi preconceituoso". Já agora, se os seus familiares são religiosos (crentes), pergunte o que aprendem na Missão quando lá vão... pois o que se trás de lá e ensinamento para se colocar em prática na vida diária e diante seja de quem for. Não se trata de rezar diante de um altar e debaixo do telhado ou nas costas do vizinho dizer o que quer que lhes venha à cabeça, verdade? Mais.... quem ama cuida, protege e defende de tudo, contra tudo e contra todos. A convicção está lá e não se deixa corromper por nada. Mais, ainda, a felicidade reside dentro de nós e em cada momento em que fazemos alguém feliz. Se os seus pais a querem fazer feliz, demonstrem-no diante de quaisquer adversidades. A Isabel terá sempre o apoio incondicional do alto, que saberá escutar no seu coração sempre que lhe der atenção. Sim, oiça sempre aquela vozinha mais profunda que fala dentro de si, pois ela acerta sempre e não se importe com mais nada. Quem a verá feliz só poderá ficar com inveja mas isso sempre passa.
Seja convicta nesse amor e felicidades para ambos! Em frente...



sábado, 7 de abril de 2018

COMO CONVERSAR COM UM AUTISTA EM SALA DE AULA?



A comunicação é essencial na vida de todos nós. Por meio dela, podemos trocar informações que fazem a diferença nas relações sociais. Na sala de aula, essa habilidade é a base para o aprendizado. Sendo assim, o ensino para autistas depende muito desse aspecto para fazer valer a didática utilizada. Veja a seguir algumas dicas que podem ajudar nessa nobre missão.

Fale sobre o assunto que interesse à criança

Como muitos de vocês já sabem, a pessoa que tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA)costuma ter predileção a um determinado tema (personagem de desenho/filme, aviões, mapas, etc.). Então, a melhor maneira de estabelecer um primeiro contato com o aluno é através dessa atenção que você dará àquilo que o interessa. Cria-se um vínculo importante para estimulá-lo nas próximas conversas.

Use frases específicas e curtas

O ensino para autistas depende muito da forma que os educadores utilizam para se comunicar. Frases mais curtas e objetivas tendem a ser eficazes para a compreensão da criança/adolescente diante de algum novo conceito ou explicação. Isso porque a forma de processar uma informação é diferente no estudante com autismo.


Mostre paciência e disponibilidade ao ensinar

Como dito acima, o processamento de uma informação para a criança/adolescente com TEA tem suas peculiaridades e apresenta a sua própria dinâmica. É interessante que você demonstre paciência para explicar um conceito. Pergunte sempre se há dúvida, procure esclarecer algum conceito que não ficou claro, etc.

Fuja do sentido figurado

É importante não utilizar construções frasais com sentido figurado. Isso tende a confundir a criança. Ela não entende tais aplicações. Então, não diga que você está ‘morrendo de frio’, ‘caindo de sono’, ‘derretendo de calor’, entre outras frases que costumamos falar no dia a dia. É preciso estar sempre atento a isso.

Utilize recursos visuais

Um dos itens mais eficazes ao ensino para autistas é a utilização de elementos imagéticos como complemento às explicações. Uma pessoa com autismo tende a ser muito ligada a esses detalhes. Imagine o quanto suas aulas podem ser ricas com essas imagens.

Atenção para os sinais sociais

Estar atento aos sinais sociais é importante, principalmente no ensino para autistas. Isso porque a criança/adolescente com TEA pode ser alheio a esses indicativos. Portanto, é interessante ficar de olho em alguma situação caso o aluno demonstre pouco ou nenhum entendimento acerca de um cumprimento, um gesto, etc.

Caso a criança demonstre muita dificuldade, o que pode ser feito?

Se a situação ficar difícil para o entendimento da criança e sua comunicação, a melhor maneira de contornar esse problema é solicitar um auxílio maior de um profissional de fonoaudiologia e psicopedagogia. É sempre válido lembrar que o acompanhamento interdisciplinar funciona de forma eficaz, pois abrange todo o conjunto de habilidades que permeia a vida da pessoa, impulsionando o desenvolvimento cognitivo, comportamental e social.

Torne a sala de aula um ambiente convidativo

Nada melhor que proporcionar um local onde os pequenos encontrem um ambiente que desperte sua atenção e o prazer de estarem ali. Isso contribui para a socialização de todos.



SINTOMAS E DIAGNÓSTICO DO AUTISMO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta uma grande variação dependente de cada paciente. Esse aspecto que existe deve-se, portanto, às diferentes camadas que se manifestam nas pessoas que convivem com o espectro. Isso significa que é impossível resumir os sintomas do Autismo em três ou quatro tópicos. Eles são muitos e se apresentam com maior ou menor intensidade de acordo com cada pessoa.

Quais são os sintomas mais relatados pelos pais?

Embora o TEA conte com uma diversificação sintomática, é inegável que alguns sinais podem começar logo cedo, sobretudo antes dos 3 anos de idade. Os pais devem ficar atentos a esses indicativos e procurar auxílio médico. Saiba quais são os sintomas mais comuns:

– Ausência de comunicação verbal (mesmo que a criança ainda não consiga formar palavras, é comum que ela comece a demonstrar interesse em estabelecer contato com sílabas soltas: mã, pa, lá, aí, dá);

– Pouco ou nenhum contato visual: o pequeno costuma não responder aos estímulos (há casos que podem ser percebidos já na amamentação; ou seja, o bebê não se comunica com a mãe nem mesmo pelo olhar);

– Tendência ao isolamento: a maioria das crianças gosta de socializar, mesmo as mais tímidas. No caso daquelas que manifestam sintomas do Autismo a situação é diferente (elas se isolam não por serem indelicadas, mas por algum objeto chamar a sua atenção; muito mais que qualquer outra presença. No entanto, essa situação não se aplica a todos);

– Aspecto sensorial acima ou abaixo do normal: o pequeno pode se incomodar bastante quando exposta a determinados barulhos, aromas, texturas, gostos, etc.; por outro lado, ele pode não ‘sentir’ algum corte, por exemplo. Em compensação, um simples toque pode irritá-lo bastante (por isso é extremamente importante estar sempre de olho); sensação de aperto também costuma deixá-lo inquieto;

– Crises além do normal: a diferença entre uma pirraça e uma crise que seja reflexo dos sintomas de autismo está na intensidade. Imaginemos que uma criança sem o espectro consiga chorar e falar o que sente. No autismo isso nem sempre é possível. O pequeno então encontra no choro excessivo (seguido de berro, em muitos casos) a maneira de expressar seu descontentamento. A melhor maneira para lidar com isso é tentar acalmá-la e jamais pegá-la forte pelos braços ou balançá-la.



*Os sintomas do Autismo citados acima não resumem a lista enorme de características percebidas por pais e profissionais, mas são os mais notados. O aspecto comportamental é geralmente o mais afetado.

Como é o diagnóstico?

O diagnóstico do TEA é clínico. Ele só é possível por meio da observação direta do comportamento. O especialista realiza uma entrevista com os pais a fim de colher mais informações, que serão geralmente confrontadas de acordo com os parâmetros do DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

Os sintomas de Autismo e as comorbidades

As crianças que convivem com o espectro podem apresentar comorbidades como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH; Transtorno Opositor-Desafiador TOD; Transtorno Bipolar, entre outros.

Já pensou aprender profundamente sobre o Autismo para melhorar seus atendimentos clínicos, entender melhor seu filho e saber por que seu aluno apresenta determinado comportamento e como trabalhar o processo de inclusão? Em um curso online completo o Dr. Clay Brites te ensina tudo sobre TEA com fundamentação científica e de forma prática e simplificada.




COMO DIAGNOSTICAR O AUTISMO?

Todos nós sabemos que o Transtorno do Espectro Autista é objeto de estudo de pesquisadores espalhados ao redor do mundo. A complexidade que o assunto envolve tornava o diagnóstico do Autismo em algo absolutamente difícil de compreender, até mesmo para os pais das crianças que conviviam com o espectro em si.

O que aconteceu na nova edição do DSM?

Uma modificação no DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), no entanto, estabeleceu alguns critérios que podem favorecer o esclarecimento na hora em que um profissional precisar diagnosticar o transtorno com mais precisão.

A quinta edição do Manual apresentou uma nova estrutura de sintomas, cuja diferença está em um modelo de dois domínios compostos, sendo um referente ao déficit de comunicação social e outro voltado aos comportamentos ou interesses restritos.

Além disso, o DSM-V eliminou o seguinte critério: o atraso ou ausência de desenvolvimento de linguagem expressiva como ponto determinante para o diagnóstico do Autismo. Esta decisão foi tomada baseada em estudos realizados que comprovaram o fato de tal característica não ser exclusivamente notada em crianças com o espectro.

Como e quais são os critérios a partir de então?

Após a mudança trazida pelo DSM-V, mencionada acima, os critérios restabelecidos para o diagnóstico do Autismo foram os seguintes:

Déficits clinicamente significativos e persistentes na comunicação social e nas interações sociais, manifestadas de todas as maneiras seguintes.

a. Déficits expressivos na comunicação não verbal e verbal usadas para interação social;
b. Falta de reciprocidade social;
c. Incapacidade para desenvolver e manter relacionamentos de amizade apropriados para o estágio de desenvolvimento.

Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos duas das maneiras abaixo:

a. Comportamentos motores ou verbais estereotipados ou comportamentos sensoriais incomuns;
b. Excessiva adesão/aderência a rotinas e padrões ritualizados de comportamento;
c. Interesses restritos, fixos e intensos.

Os sintomas devem estar presentes no início da infância, mas podem não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite de suas capacidades.



O que são os Transtornos do Espectro Autista?

É muito importante relembrarmos o que são os TEA’s. Eles se referem a um grupo de transtornos que são caracterizados por um espectro, compartilhado de prejuízos qualitativos na interação social. Além disso, os Transtornos do Espectro Autista são também associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos pronunciados. A complexidade do TEA está na variação de prejuízos que podem ser causados na vida das crianças. A grande heterogeneidade no fenótipo das pessoas que convivem com o Autismo também é considerável.

Quais são os processos para o diagnóstico do Autismo?

Na verdade, o diagnóstico do Autismo é clínico. Ele só é possível por meio da observação direta do comportamento. Logo depois, o especialista realiza uma entrevista com os pais a fim de colher mais informações que serão confrontadas de acordo com os parâmetros do DSM-V.

A partir do momento em que o profissional diagnostica a existência do Autismo, o passo seguinte é a proposição de uma intervenção interdisciplinar que possa oferecer ao pequeno melhores condições para o seu desenvolvimento.

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O QUE DESENCADEIA O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA?

Ao longo das décadas a comunidade científica tem voltado parte de suas atenções para os casos de Transtorno do Espectro Autista. Segundo dados do último levantamento feito pela OMS – Organização Mundial da Saúde –, a incidência do autismo é de 1 em cada 160 crianças no mundo. Estima-se que no Brasil existam 2 milhões de pessoas que convivem com o espectro. Os dados podem oscilar, considerando os casos que ainda são subnotificados, além daqueles que serão diagnosticados.

No entanto, as pesquisas evoluem graças ao empenho de especialistas e estudiosos que se debruçam sobre o assunto para encontrarem respostas e soluções. Para complementar, pode-se afirmar que existem muitas informações a respeito do que seria a causa; o que desencadeia o Transtorno do Espectro Autista. Vejam abaixo quais são elas.

Fatores genéticos influenciam a existência do autismo

Muitos estudos sugerem que o Transtorno do Espectro Autista pode ser influenciado pelo aspecto da herança genética. Essa hipótese é reforçada quando um paciente com autismo tem algum parente próximo também diagnosticado com TEA ou algum traço que pertença ao espectro.

Os mesmos levantamentos apontam que em determinados casos, cujo mais de um membro da mesma família apresente sinais de autismo, pode haver algum padrão de autismo ou deficiência que seja relacionado. Isso  reforça a ligação genética que tende a existir.

Fatores ambientais também podem estar relacionados ao TEA

Além do aspecto genético, a questão ambiental pode responder por uma parcela considerável na incidência do Transtorno do Espectro Autista ainda na fase fetal. Pesquisas afirmam que situações como estresse, exposição a substâncias químicas e tóxicas; infecções, desequilíbrios metabólicos e problemas durante a gravidez podem ser causadores de autismo. Além disso, outros estudos não descartam o uso de alguns medicamentos durante a gestação como possíveis aspectos para a ocorrência do TEA em crianças.

Aspectos genéticos e ambientais respondem podem por grande parte dos casos

Um artigo publicado no respeitado The Journal of the American Medical Association (JAMA) divulgou o resultado de uma pesquisa feita pelo Instituto Karolinksa, em Estocolmo (Suécia), onde mais de 2 milhões de crianças suecas, nascidas entre 1982 e 2006, foram analisadas.  Constatou-se que embora a hereditariedade seja um fator relevante, tal aspecto só corresponde à metade dos casos. A outra parte ficou por conta dos fatores ambientais.

Os mesmos pesquisadores chegaram aos 50% como a taxa responsável  pelo desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista nas crianças. No entanto, essa porcentagem já chegou a ser considerada em 80% ou a 90%. O levantamento mostrou, então, que o ambiente pode influenciar mais do que se imaginava.

Como chegar ao diagnóstico?

Os especialistas chegam ao diagnóstico do autismo por meio da observação direta e de entrevistas, realizadas com os pais do pequeno, a fim de se obter informações que possam reforçar a análise do médico.

A partir do diagnóstico, qual o próximo passo?

Contar com auxílio de uma equipe profissional que seja formada por médicos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psiquiatras, psicólogos, analistas comportamentais,fisioterapeutas, psicopedagogos e outros especialistas que possam contribuir com o desenvolvimento da criança.

Já pensou aprender profundamente sobre o Autismo para melhorar seus atendimentos clínicos, entender melhor seu filho e saber por que seu aluno apresenta determinado comportamento e como trabalhar o processo de inclusão? Em um curso online completo o Dr. Clay Brites te ensina tudo sobre TEA com fundamentação científica e de forma prática e simplificada.

BRINCADEIRAS NA ESTIMULAÇÃO DE CRIANÇAS COM AUTISMO

Toda criança merece e deve se divertir. Existem atividades lúdicas e outras brincadeiras para autistas, cujo poder que elas exercem sobre os pequenos é bastante importante para a socialização e pelo estímulo. O grande barato disso tudo é o fato de os materiais para essas tarefas não exigirem alto custo, o que significa acessibilidade.

Seja na escola ou em casa, seus filhos podem ter momentos diários de distração por meio de brinquedos e objetos que promovam essas situações. Além disso, o próprio ato de brincar permite que a criança também exerça alguma habilidade, cujas intervenções trabalham com mais riqueza de detalhes.

Há que se ressaltar que o auxílio de especialistas, de uma equipe interdisciplinar, é imprescindível para a diminuição de muitos efeitos que o Autismo traz para a vida do pequeno. No entanto, as atividades que envolvem brincadeiras servem como um complemento e tanto para todos eles.

Posso chamar outras crianças?

Pode e deve, pois a socialização de seu filho é uma prática que precisa ser sempre otimizada. É verdade que existem casos distintos. Todo mundo tem uma diferença; com autistas também é assim.

Existe a possibilidade de o pequeno não se sentir muito à vontade com outras pessoas que gritam muito ou com sensação de aperto (toque excessivo, abraços, etc.). Nessas situações, o melhor a se fazer é tentar identificar alguma tarefa que não exija tanta agitação.

Vale lembrar, porém, que isso não se aplica a todas as crianças. Há aquelas que conseguem participar de brincadeiras que pedem mais ânimo e sem nenhum problema. O importante é incluir o pequeno naquilo que mais combine com seu perfil.

O que fazer para entreter na escola?

Brincadeiras para autistas também são usadas no ambiente escolar. Nesse espaço, por exemplo, há grandes chances de o pequeno trabalhar sua socialização. Os educadores têm um papel de extrema importância na condução das atividades a fim de proporcionar à criança uma interatividade proveitosa.

Dentro da sala de aula pode haver tarefas mais interessantes, tanto para a diversão do aluno como seu desenvolvimento pedagógico:

– Argilas e massinhas;

– Conteúdos folclóricos que estimulem a criatividade;

– Pintura;

– Quebra-cabeça;

– Desenhar e colorir;

– Outros.

Atenção para algumas informações

É muito importante que pais e educadores fiquem atentos quanto ao uso de alguns objetos que podem oferecer riscos nas brincadeiras para autistas. Isso porque muitas crianças com Autismo não têm aquela sensibilidade de sentir um corte ou alguma lesão, por exemplo. A questão sensorial delas é peculiar e requer cuidados.

Dicas de brinquedos/brincadeiras

– Jogos de memorização;

– Dedoches ou fantoches (a empolgação das demais pessoas é crucial no estímulo do pequeno. Sendo assim, não economize nas caras e bocas; vozes diferentes);

– Brincar de faz-de-conta: comidinhas, bolos e pães;

– Danças;

– Cirandas;

– Jogos eletrônicos;

– Outros.

Conselho com especialistas

Em caso de dúvida, procure profissionais que podem auxiliar na orientação da melhor alternativa ao pequeno. É sempre válido contar com quem entende do assunto para ajudar nossas crianças.

sábado, 31 de março de 2018

Agressão física

 ```O Preconceito Contra As Pessoas Com Deficiência É A Principal Barreira Para Uma Inclusão De Qualidade

Posted on6 de julho de 2017 Authori.social Comment(1)

O preconceito contra as pessoas com deficiência é a origem de muitos problemas encontrados no mercado de trabalho e na falha tentativa de inclusão das empresas. Nada menos do que 70% dos entrevistados na pesquisa realizada pela i.Social anualmente¹ acreditam que as pessoas com deficiência sofrem preconceito no ambiente de trabalho, seja ele por colegas, gestores ou até mesmo clientes.

A contratação apenas para o cumprimento da Lei de Cotas não deixa de ser preconceito. Faz com que o profissional seja praticamente invisível na empresa, deixando-o desmotivado com as práticas diárias. São destinadas funções simples, que geralmente outros profissionais não desejam fazer, assegurando cargos aos PcD’s que os impossibilite de crescer, conseguir uma promoção e contribuir para a empresa como deveriam fazer.

Isso se torna ainda pior quando a qualificação do profissional é descartada em razão do que se acredita que o mesmo pode ou não exercer por conta de sua deficiência.

Como já vimos no texto em que são abordadas as vantagens na contratação de pessoas com deficiência, uma boa empresa para pessoas com deficiência é uma boa empresa para todos. A inclusão torna a empresa mais produtiva quando são oferecidas as condições necessárias para que uma pessoa com deficiência possa trabalhar e exercer por completo o que pode, há uma maior valorização de todos os funcionários, pois a convivência entre pessoas diferentes ajuda o ambiente de trabalho a se tornar mais rico, possibilitando a troca de experiências diversas, o que humaniza a empresa e permite crescimento profissional e pessoal.


E com a oportunidade de crescer pessoalmente e profissionalmente, a empresa também diminui os turnovers porque, quando o profissional com deficiência se encontra nas mesmas condições que os demais colaboradores, a tendência é que ele se sinta valorizado e permaneça por mais tempo na organização influenciando positivamente os demais colaboradores.

Ou seja: apenas empregar/estar empregado não é sinônimo de solução. É preciso constantemente insistir em práticas como campanhas de valorização das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho, palestras sobre inclusão para o público interno da empresa, treinamentos inclusivos para os gestores e específicos para o RH, recrutamento e seleção de pessoas com deficiência para vagas mais qualificadas e investir/ampliar em canais de busca de candidatos com deficiência.

Prova da importância de um bom banco de profissionais com deficiência para uma inclusão de qualidade é o trabalho que a i.Social faz há 18 anos. Com o maior e mais qualificado banco de currículos de pessoas com deficiência do Brasil, com cerca de 100 mil profissionais com deficiência cadastrados e ativos, a i.Social conta com uma equipe de 15 psicólogas especialistas em recrutamento e seleção de pessoas com deficiência, já tendo auxiliado a contratação de cerca de 12.000 profissionais com deficiência em mais de 500 empresas no Brasil.

Diminuir o espaço do preconceito e expandir a inclusão e as oportunidades igualitárias, como se deve ser, é preciso em uma sociedade moderna com tanta diversidade como a nossa.

¹ Profissionais de Recursos Humanos – expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Ausência de políticas públicas e rejeição familiar violam direitos humanos

Em fevereiro de 2015, o mundo conheceu a história de Leo, o recém-nascido portador de Síndrome de Down na Armênia que foi rejeitado pela mãe após o parto.  O pai se recusou a abandona-lo e a mãe pediu o divórcio. A história foi divulgada no Brasil pelo senador Romário Faria, um dos principais ativistas pela inclusão de pessoas com deficiência no País. Em novembro de 2014, um episódio ainda mais dramático chegou aos noticiários mundiais: crianças em uma instituição pública para pessoas com deficiência na Grécia eram mantidas trancafiadas em jaulas. Jaulas, como se fossem animais! Essa sequência de acontecimentos em países europeus colocou em pauta uma questão de enorme importância que, contudo, é frequentemente esquecida: a proteção de direitos humanos de pessoas com deficiência.

Leia também:
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Recapitulando visões sobre deficiência


Durante séculos, mesmo em países desenvolvidos, a deficiência era vista como algo degradante e motivo de vergonha. Em 1913, o Reino Unido aprovou uma lei conhecida como Ato de Incapacidade Mental, que autorizava que pessoas com problemas mentais fossem mantidas em instituições questionáveis. O Ato resultou na internação de mais de 40 mil homens e mulheres. Na Alemanha Nazista, Hitler pregou o extermínio não somente de judeus, como também de pessoas com deficiência. Até a década de 1970 na Europa e Estados Unidos, a deficiência era vista como problema (impairment, em inglês) físico ou mental. Esta visão é conhecida atualmente como o “Modelo Médico” (Medical Model), que significa, por exemplo, que se uma pessoa é surda, sua deficiência é a surdez.

Em 1975, o Modelo Médico foi questionado pelo movimento inglês Union of the Physically Impaired Against Segregation (UPIAS), cujo objetivo era mudar o pensamento da sociedade britânica sobre deficiência. O UPIAS propôs uma diferenciação entre os termos impairment e disability, argumentando que o primeiro é “falta ou falha de um membro, órgão ou mecanismo do corpo humano” e disability (deficiência) é a “restrição em uma atividade causada por organizações contemporâneas que não levam em consideração pessoas com problemas físicos ou mentais e, assim, os excluem da vida social”.

Esta definição ficou conhecida como o “Modelo Social de Deficiência” e tornou-se a forma oficial de abordar o assunto no Reino Unido e, posteriormente, em outros países desenvolvidos. O Modelo Social gerou uma série de políticas e projetos que tinham como principal objetivo melhorar provisão de serviços públicos sociais. Apesar de ter sido uma evolução, atualmente o modelo é criticado por focar exclusivamente na parte social de inclusão, deixando de lado aspectos importantes como programas de prevenção e reabilitação.

Tais críticas levaram ao desenvolvimento de abordagens mais multidimensionais, nas quais a deficiência é vista como o mal infligido às capacidades dos indivíduos, resultantes de restrições do ambiente social e de problemas oriundos de seuimpairment. Essa visão abre espaço para programas e políticas públicas mais humanas, que priorizem não apenas as necessidades do grupo como um todo, mas também atentam para o preconceito e outras necessidades do dia-a-dia provocadas por cadaimpairment. Deve-se notar que em português, assim como em muitas línguas, ainda não há diferença entre deficiência e impairment.

Tily adora nadar. Foto: Andreas Photography / Creative Commons / Flickr

O papel do preconceito na vida de pessoas com deficiência

Em muitos países em desenvolvimento, deficiências são encaradas como algo vergonhoso, como uma maldição ou até mesmo uma punição de Deus. É comum pessoas esconderem familiares com deficiência em casa, impedindo-os de ter uma vida em sociedade. De acordo com o especialista Modjeh Bayat, “na maioria dos países africanos, crianças com deficiência são praticamente invisíveis na sociedade e existe pouca ou nenhuma informação oficial sobre elas”. Uma vez que muitas destas pessoas são mantidas em casa, não há dados confiáveis nem mesmo em Censos nacionais. Ou seja, quase nada se sabe sobre como vivem indivíduos com deficiência em muitos países.

Mesmo quando não há vergonha, existe um senso comum de que pessoas com deficiência são incapazes de viver uma vida normal. O problema começa porque, segundo a especialista Sarah Irwin, a “independência [financeira e social]é altamente valorizada, enquanto dependência é vista como algo bastante problemático”. Portanto, devido à falta de estrutura em países em desenvolvimento, pessoas com deficiência são altamente dependentes de suas famílias. Adultos que não são financeiramente independentes acabam normalmente marginalizados, reforçando o sentimento de vergonha e da noção de incapacidade.

Estas noções geram uma série de problemas. O primeiro é o impacto do preconceito na formação da personalidade de pessoas com deficiência. A vergonha da família acaba gerando um processo dialético, no qual a ideia de incapacidade (ou maldição) é internalizada pela pessoa. Tendo ouvido durante toda sua vida que são incapazes e um fardo aos familiares próximos, indivíduos com deficiência internalizam esse sentimento de inferioridade e, consequentemente, estão mais suscetíveis a problemas de baixa autoestima.

Atualmente, em muitos países da África e Ásia (ou em países europeus), o pior preconceito vem da própria família, que considera uma vergonha ter um parente com deficiência. A personalidade das crianças com deficiência, que contam com parentes adultos para quase tudo em seu cotidiano, é significativamente influenciada pelo preconceito destes parentes. Dado que crianças em seus primeiros anos de vida são altamente influenciadas pelo ambiente familiar, elas em geral desenvolvem baixa autoestima e questionam suas capacidades. Ademais, o preconceito contribui para que estas crianças não frequentem escolas, não recebam tratamento médico adequado (o que muitas vezes acaba piorando seu quadro médico) e gera um ciclo vicioso entre vergonha, sentimento de inferioridade e exclusão social.

Na Costa do Marfim, pais escondem crianças com deficiência em casa por acreditarem que “qualquer morte, doença ou desastre natural pode ocorrer por conta de uma maldição infligida naquela comunidade, resultado do espírito maléfico de seu filho”. Na Tanzânia em 2013, 70 crianças foram encontradas escondidas em casa por seus pais na região norte de Kilimajaro. Os pais confessaram que, por vergonha, as crianças eram trancadas desde o nascimento e seus movimentos eram restringidos para que vizinhos não soubessem de sua existência.

Em Uganda, Martha de 16 anos, abandonou a escola porque outras crianças recusavam-se a falar com ela e até mesmo a humilhavam por conta de sua deficiência visual. O comportamento dos alunos era incentivado por professores e familiares, que acreditavam que Martha era amaldiçoada. Portanto, estas crianças escutam durante grande parte de suas vidas que são incapazes ou amaldiçoadas. Logo, acabam reproduzindo esse sentimento em suas vidas, como Martha, que abandonou a escola.

O segundo problema é a ausência de políticas públicas específicas. Uma vez que há vergonha, não há incentivos da população para que o governo desenvolva programas sociais voltados a este grupo populacional. O resultado é visto em indicadores sociais:dois terços das crianças que estão hoje fora da escola em países em desenvolvimento possuem alguma deficiência. A situação é ainda mais problemática para meninas, que precisam lidar também com o preconceito de gênero.

Mesmo em casos menos extremos, pais ainda consideram que garantir a educação de filhos com deficiência não gera benefício, uma vez que não se crê que estes conseguirão arrumar emprego mesmo tendo frequentado a escola. Como educação é, em geral, tida como a única forma de se atingir independência financeira e dado que a maioria das pessoas com deficiência é dependente de parentes, as famílias tendem a acreditar que educar crianças com deficiência é inútil. Nota-se uma tentativa de reverter esse quadro por parte das próprias crianças. Em estudo conduzido em Ghana e na Tanzânia, crianças declararam querer estudar “para demonstrar capacidade e conquista numa sociedade que esnoba seu potencial”.

Nesse sentido, a educação é a chave para mudanças. Garantir educação para meninos e meninas com deficiência promove a noção de cidadania e um senso de compartilhamento de direitos com pessoas não deficientes. Da mesma forma que existe um ciclo vicioso entre preconceito e dependência, também pode haver um ente educação e autonomia. Como defendido pelo ganhador do Prêmio Nobel, Amartya Sen, promover educação de qualidade para crianças com deficiência é um mecanismo para garantir sua liberdade de viver uma vida autônoma, para ser visto por outras pessoas como iguais e para verem a eles próprios como cidadãos e indivíduos plenamente capazes.


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segunda-feira, 26 de março de 2018

Lei Cão-Guia

As pessoas com deficiência poderão ter o direito de se fazer acompanhar de cão de assistência, em locais públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo, a exemplo do que já é permitido a cegos com cão-guia. É o que determina o projeto de lei do Senado (PLS) 411/2015, do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O texto está em análise na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

A proposta estende o direito já garantido pela Lei 11.126/2005 (Lei dos Cães-Guias), para contemplar as demais categorias de cães de assistência, como cães ouvintes, que alertam pessoas com deficiência auditiva sobre sinais sonoros; cães de alerta, cujos sentidos aguçados percebem quando alguém pode ter uma crise diabética, alérgica ou epilética; cães para autistas, que ajudam a confortar o usuário durante eventuais crises; e cães para cadeirantes, que abrem e fecham portas, pegam objetos pouco acessíveis ou caídos no chão e apertam botões de elevadores.

Segundo a relatora do PLS 411/2015, senadora Fátima Bezerra (PT-RN), a Lei 11.126/2005 não incluiu essas categorias à época da aprovação devido ao pouco conhecimento sobre a importância do cão em outras atividades. Em sua opinião, o uso dos cães de serviço e a permanência dos usuários com eles em quaisquer locais devem ser integralmente amparados em lei, como já acontece com os cães-guia. A parlamentar ressalta, no entanto, não ser adequado listar em lei quais deficiências devem ser contempladas.

“É mais prudente e conveniente deixar essa listagem a cargo da regulamentação infralegal, que dispõe sobre a identificação dos cães de serviço, principalmente para evitar fraudes, como a apresentação de um animal de companhia como sendo de serviço”, pondera.

De acordo com o texto, serão objeto de regulamento os requisitos mínimos para identificação do cão de assistência, a forma de comprovação de treinamento do usuário, o valor da multa e o tempo de interdição impostos à empresa de transporte ou ao estabelecimento público ou privado responsável pela discriminação ou impedimento da entrada do cão.

A senadora apresentou emenda para evitar embaraços ao ingresso e à permanência com cães de serviço em locais de uso individual, como guichês de atendimento e cabines de banheiros. Desse modo, o texto passaria a mencionar “locais públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo” em vez de “veículos e estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo”.

O relatório de Fátima Bezerra foi lido em reunião da CDH pela senadora Regina Sousa (PT-PI). A proposta terá decisão terminativa na comissão. Se for aprovada e não houver recurso para votação do texto pelo Plenário, poderá seguir para a Câmara dos Deputados.


sábado, 24 de março de 2018

Diga não para Racismo

Farei a seguir, um resumido relato das leis brasileiras que visam combater as condutas racistas em nosso país, dando destaque para o racismo contra pessoas negras.

O Brasil é signatário, junto à ONU, da Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial, desde o ano de 1969 e, por isso, adota os princípios ali estabelecidos, entre os quais o significado da expressão “discriminação racial qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano (em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública.” Leia o texto integral clicando aqui:

O racismo – não só contra as pessoas de pele negra – constitui-se num crime contra a igualdade de todos, assegurada em nossa Constituição Federal. A Constituição considera a prática do racismo, crime inafiançável e imprescritível (artigo 5o., inciso XLII). Portanto, não cabe fiança (depósito em dinheiro como garantia) e a possibilidade de processar o réu não termina em data pré-determinada. É a lei no. 7.716/89 – a Lei Caó – que define os crimes por discriminação ou preconceitos de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Essa lei, cujo projeto é de autoria do deputado Carlos Alberto de Oliveira, conhecido como Caó, já sofreu inúmeras alterações desde sua promulgação há 25 anos, sendo a ultima delas datada de novembro de 2012. Caso queira conhecê-la integralmente, clique aqui:

Ao lado dessa lei federal, nosso Código Penal, no artigo 140 – § 3º, prevê o crime de injúria: Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: […] § 3º. Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena – reclusão, de um a três anos, e multa.

Há, por outro lado, a Lei 10.639/2003, que alterou nossa LDB (Educação) para incluir nela “o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil “, e acrescentar ao calendário escolar a celebração do “Dia Nacional da Consciência Negra “, no dia 20 de novembro. Foi nesse dia que morreu Zumbi, líder negro do Quilombo de Palmares, localizado na Serra da Barriga, no atual estado de Alagoas, à época – século XVII- capitania de Pernambuco. Posteriormente, uma nova lei, a de nº 11.645/2008, modificou parcialmente a lei 10.639/2003, acrescentando ao artigo 26-A da LDB, a obrigatoriedade do estudo da influência cultural dos povos indígenas no Brasil.

Depois de intensos e longos anos de debates, conquistamos, enfim, a Lei nº 12.288/2010, o Estatuto da Igualdade Racial – cujo projeto foi apresentado no ano 2000 pelo, então deputado, Paulo Paim – e que se destina “a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica” :

E, no ano de 2012, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei de Cotas no âmbito do ensino federal, Lei nº 12.711, cujo texto integral poderá ser acessado clicando-se no link a seguir:

É preciso estar atento para o significado da palavra preconceito – referente ao campo da opinião pessoal ou pensamento e não de conduta – pois é diferente do significado de discriminação que se situa no campo da ação.

Embora nosso admirável escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948), esteja sendo muito criticado por profissionais e ativistas do movimento negro brasileiro, notadamente por vislumbrarem nas suas obras infantis “Caçadas de Pedrinho   conotações raciais negativas, eu, pessoalmente, não concordo com essas observações. Há, entretanto,

Eu até mesmo costumo mencionar parte de seu conto “Negrinha “, como exemplo apropriado para explicar o preconceito e a injúria. Veja caro (a) leitor (a), o preconceito está contido nas palavras que usamos, como podemos bem observar num trecho dessa obra de Monteiro Lobato, onde ele aponta:

“Que idéia faria de si essa criança que nunca ouvira uma palavra de carinho? Pestinha, diabo, coruja, barata descascada, bruxa, pata choca, pinto gorado, mosca morta, sujeira, bisca, trapo, cachorrinha, coisa ruim, lixo – não tinha conta o número de apelidos com que a mimoseavam.”

Isto tudo é preconceito e não discriminação. Discriminar , por exemplo, é não permitir a entrada em restaurante, clube, escola, salão de beleza, transporte público, hotel, elevadores, ou, então, deixar de dar emprego, a alguém porque é negro, índio, cigano, judeu, muçulmano, romeno, nordestino etc. Será também considerado crime a fabricação ou distribuição de símbolos (cruz suástica ou gamada) que divulguem o nazismo. Se o crime for cometido por intermédio de rádio, jornal ou canal de TV, por exemplo, a pena será maior.

Aqui eu gostaria de apontar um fato bastante interessante. Consta em nossa história, que o primeiro município brasileiro a libertar os escravos, no início do ano de 1883, foi Redenção – que recebeu esse nome exatamente por esse fato histórico – , no estado do Ceará:

Pois bem, no ano de 2010, o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou uma lei criando a Universidade Federal da Integração Luso-Afro Brasileira, a Unilab, que hoje já está em funcionamento exatamente no referido município de Redenção, e atua em cooperação com os países de língua portuguesa da África. Clique aqui para saber mais sobre ela:

http://www.unilab.edu.br/

O Brasil foi o último país das Américas a abolir, legalmente, a escravidão de pessoas negras trazidas do continente africano. Era, então, o ano de 1888. Atente-se para o fato de que já éramos nós, os brasileiros, e não os portugueses, que movíamos o tráfico dessas pessoas.

A escravidão deixou marcas profundas em nossa cultura. Nós, os brasileiros, não vivemos ainda hoje numa real democracia racial. Essa é apenas uma ilusão de muitos, tal qual nossa tão lembrada cordialidade, palavra derivada de coração. O preconceito racial está inoculado nos corações e mentes dos brasileiros: não o vemos, mas sentimos sua presença em nossa vida cotidiana, em casa, na mídia, no comércio, no trabalho, nos ambientes de lazer, nas escolas, nas igrejas, nos meios de transporte etc. Identificá-lo e denunciá-lo é dever diário que cabe a cada um de nós.

As leis acima referidas só surgiram porque o preconceito e a discriminação são fatos, e devem ser eliminados na sociedade brasileira. Se, de fato e de direito, respeitássemos nossas diferenças, essas leis penais não precisariam ser invocadas.

Como bem registra nosso escritor e pesquisador, o polimata Gilberto Freire (1900-1987) em sua obra “Casa Grande e Senzala “, publicada em 1933, nossa miscigenação iniciou-se na base de brutal violência sexual cometida por homens europeus, contra as mulheres indígenas e negras escravizadas. Até hoje, o racismo mais pesa é sobre as mulheres, pois numa sociedade patriarcal/machista como é a nossa, todas as mulheres são socialmente subestimadas, e no caso das mulheres negras ou indígenas, o preconceito e a discriminação pesam duplamente.

Neste momento está para ser sancionada uma nova lei que criará o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza foi uma líder no Quilombo Quariterê, localizado no estado do Mato Grosso do Sul. Ela ali viveu nos idos de 1770. A data escolhida será 25 de julho, dia em que na América Latina já se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra. ATUALIZANDO: a Presidenta da República Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.987, em 02/06/2014: http://

Recomendarei a você caro (a) leitor (a), três filmes brasileiros da última década, com temática do povo negro, e que considero muito bons. Um deles é “Besouro“, dirigido por João Daniel Tikromiroff, lançado em 2009, e cujo tema central é história da capoeira no início do Século XX no estado da Bahia. Talvez você possa assisti-lo clicando aqui: http://www.youtube.com/watch?v=6rz6WTLLFWk

Há, ainda, um outro filme: “Quanto vale ou é por quilo “, dirigido por Sérgio Bianchi, lançado em 2005. O filme é uma livre adaptação do conto “Pai contra Mãe”, de Machado de Assis, entremeada com pequenas crônicas do pesquisador Nireu Cavalcanti sobre escravidão no Brasil, e revela as mazelas e contradições de um país em permanente crise de valores. Assista-o clicando aqui:


sábado, 17 de março de 2018

Graus de Autismo

O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem acompanhado de muitas dúvidas. Os pais se questionam após a confirmação: “Existem graus de autismo?”. Antes de responder vou explicar, de modo resumido, as principais mudanças que ocorreram após a publicação do DSM-V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders).

Para quem ainda não conhece o DSM-V é uma publicação da Associação Psiquiátrica Americana que está em sua quinta edição. Trata-se de um manual usado por médicos com objetivo de fornecer critérios precisos na elaboração diagnostica no campo da saúde mental.

A primeira mudança se refere à nomenclatura, ou seja, o Autismo até o DSM-IV fazia parte de um grande grupo chamado Transtornos Globais do Desenvolvimento, haviam os subgrupos Transtorno Autista, Transtorno de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância, entre outros.

De acordo com a nova revisão, o DSM-V, a classificação Transtornos Globais do Desenvolvimento foi substituída pelo novo termo Transtorno do Espectro Autista (TEA). O objetivo foi acabar com as inúmeras subdivisões existentes e inclui-las dentro de um único grupo. Na prática clínica muitos profissionais não se baseavam nas diferenças entre os vários subtipos, mas sim utilizavam os graus de severidade do transtorno como principal critério. Agora, segundo o DSM-V, o TEA pode ser classificado em:

Grau leve (Nível 1)

Grau moderado (Nível 2)

Grau severo (Nível 3)

Você pode estar se questionando: esses níveis de gravidade estão baseados em quais critérios? A resposta está relacionada a quantidade de apoio necessária para contemplar as necessidades de cada um, considerando as dificuldades na comunicação, nos interesses restritos e comportamentos repetitivos. Assim, como foi apresentado existem graus e quando o diagnóstico é confirmado com Transtorno do Espectro Autista a criança pode estar no Nível 1, 2 ou 3.

Nível 1 – Necessidade de pouco apoioA criança necessita de apoio contínuo para que as dificuldades na comunicação social não causem maiores prejuízos;Apresenta dificuldade em iniciar interações com outras pessoas, sejam adultos ou crianças, ocasionalmente oferecem respostas inconsistentes as tentativas de interação por parte do outro;Aparentemente demonstram não ter interesse em se relacionar com outras pessoas.

Comportamentos repetitivos e restritosEsse padrão de comportamento repetitivo e restrito ocasiona uma inflexibilidade comportamental na criança, gerando assim dificuldade em um ou mais ambientes;A criança fica por muito tempo em uma única atividade (hiperfoco) e apresenta resistência quando necessita mudar para outra;Alterações na organização e planejamento podem atrapalhar o trabalho pela busca da independência e autonomia da pessoa.

Nível 2 – Necessidade de apoio substancialA criança apresenta um déficit notável nas habilidades de comunicação tanto verbais como não-verbais;Percebe-se acentuado prejuízo social devido pouca tentativa de iniciar uma interação social com outras pessoas;Quando o outro inicia o diálogo as respostas, geralmente, mostram-se reduzidas ou atípicas.Comportamentos repetitivos e restritosApresenta inflexibilidade comportamental e evita a mudança na rotina, pois tem dificuldade em lidar com ela;Essas características podem ser notadas por um parente ou amigo que raramente visita a casa da família;A criança se estressa com facilidade e tem dificuldade de modificar o foco e a atividade que realiza.

Nível 3 – Necessidade de apoio muito substancialHá severos prejuízos na comunicação verbal e não- verbal;Apresenta grande limitação em iniciar uma interação com novas pessoas e quase nenhuma resposta as tentativas dos outros.Comportamentos repetitivos e restritosHá presença de inflexibilidade no comportamento;Extrema dificuldade em lidar com mudanças na rotina e apresentam comportamentos restritos/repetitivos que interferem diretamente em vários contextos;Alto nível de estresse e resistência para mudar de foco ou atividade.E o que eu faço com o diagnóstico do Grau de Autismo?

É importante salientar que independente do grau (leve, moderado e severo) a criança necessita de apoios específicos, pois geralmente o que diferencia são os sintomas que em alguns são mais sutis do que em outros. Como também a quantidade de terapias e o longo período dispendido aos tratamentos, outro fator considerável é a necessidade do uso da medicação, lembrando que não existe remédio para o autismo e sim para minimizar os seus sintomas, estes, variam de acordo com o grau, como você já pôde observar.

O mais importante é compreender que não importa o nível que seu filho esteja, lembre-se sempre de proporcionar os cuidados de acordo com suas necessidades específicas. Busque sempre o melhor para ele e não desista no caminho apenas porque seus sintomas são moderados e/ou severos. A caminhada é longa, mas foque sempre nos avanços e potencialize cada um deles. Eu escrevi um outro post que vai te ajudar caso tenha acabado de receber o diagnóstico.



sábado, 10 de março de 2018

Como se comunicar as pessoas com deficiência auditiva



Como se Comunicar com Pessoas Surdas

Pessoas surdas se comunicam visualmente e fisicamente, ao invés de audivelmente. Existem vários níveis de surdez: dificuldades de escuta, surdez profunda e surdez completa. [1] Você pode facilmente reconhecer pessoas com dificuldades de escuta pelos seus aparelhos auditivos (embora, é claro, algumas pessoas se recusem a usá-los, ou são incapazes, e eles estão ficando cada vez menores e mais difíceis de ver). Pessoas surdas ou profundamente surdas podem ainda não usar qualquer tipo de aparelho. Alguns indivíduos serão capazes de fazer leitura labial e lhe entender quase perfeitamente. Entretanto, muitos irão se comunicar com linguagem de sinais, ao invés de palavras. Este tipo visual de comunicação pode ser intimidador e parecer estranho a princípio, mas estas orientações irão ajudar.

Obtenha a atenção da outra pessoa antes de tentar falar ou se comunicar. Fazer contato visual é uma boa forma. Se necessário, você pode fazer um pequeno aceno ou dar um leve toque para chamar a atenção. Embora você deva ter consideração com a pessoa e não ficar cutucando-a, geralmente não é considerado rude, em comunidades de surdos, tocar levemente pessoas desconhecidas para obter sua atenção. O ombro é um bom local para tocar alguém que você não conhece bem; dê dois tapinhas curtos.

Fique em seu campo de visão. Tente manter seus olhos no mesmo nível dos olhos delas. Sente-se se ela estiver sentada, fique de pé se ele estiver em pé, compense grandes diferenças de altura, etc. Você deve se posicionar um pouco mais longe do que a distância normal para a fala (de 1 a 2 metros). Isso ajuda a garantir que elas verão todos os seus gestos. Se vocês estão em um ambiente fechado, certifique-se de que há luz o suficiente para que elas te vejam claramente. Se você está a céu aberto, fique virado para o sol para que não haja sombra em seu rosto e para que o sol não ofusque a visão deles.

Faça suas saudações em tom normal de voz. Sussurrar ou gritar irá distorcer seus movimentos labiais, tornando difícil para uma pessoa surda acompanhar suas palavras. Muitas pessoas surdas só conseguem fazer leitura labial até certo ponto. Da mesma forma, se você exagerar em seus movimentos labiais você será mais difícil de compreender do que se falar normalmente. Aumentar o volume da voz só ajuda se a pessoa tem somente dificuldades de audição, além de ter o efeito negativo de chamar a atenção das outras pessoas ao redor, fazendo com que seu interlocutor fique inibido. Se a pessoa não parecer ser capaz de leitura labial, você pode precisar se comunicar com papel e caneta. Escreva seu nome, saudação e apresentação.Se você possui barba muito volumosa, pode ser mais difícil para uma pessoa surda fazer leitura labial.Muitas pessoas com dificuldades auditivas que podem lhe entender perfeitamente em um cômodo sossegado não serão capazes de fazer isso em, digamos, um restaurante barulhento ou em qualquer lugar com elevado ruído de fundo.Não coloque nada dentro ou ao redor de sua boca (chicletes, suas mãos, etc).

Estabeleça a essência do que será conversado. Quando elas tiverem ciência do tópico geral, terão mais facilidade de acompanhar a conversa. Não mude bruscamente o assunto; mesmo os melhores leitores labiais só conseguem entender cerca de 35% do que você fala e precisam adivinhar o restante de acordo com o contexto do assunto.

Faça contato visual. Você provavelmente não tem noção do quanto se comunica através de seus olhos e de suas expressões faciais. Se você estiver usando óculos escuros, tire-os. Se você puder acrescentar expressões faciais para dar ênfase a um assunto (sorrir, rolar os olhos, erguer as sobrancelhas), faça.


Use gestos e dicas visuais. Aponte ou segure qualquer objeto do qual está falando, e aguarde até que voltem a olhar para você para continuar falando. Você também pode fazer mímicas de ações, como beber, pular ou comer, de forma a ilustrar suas palavras. Use dedos para indicar números, escreva no ar para demonstrar que você está escrevendo uma carta, e assim por diante.


Seja educado. Se houver alguma interrupção que a pessoa surda não perceba, como um telefone tocando ou uma batida na porta, explique o porquê de você estar se distanciando. Não faça piadas sobre a audição (ou falta de audição) delas. Não se recuse a se comunicar abruptamente (como dizendo “deixa para lá”) após descobrir que são surdas. Não se mostre irritado quando houver a necessidade de repetir o que disse. Permita opiniões divergentes, da mesma forma que faria com um amigo que escuta. Assim como há pessoas boas e más que escutam, há pessoas boas e más surdas. Trate-as com cortesia e você estará bem na fita.

Aprenda a linguagem de sinais. Para se comunicar plenamente com pessoas surdas que se sentem mais confortáveis com gestos do que com a fala, aprenda a linguagem de sinais. As linguagens de sinais são idiomas naturais, com sua própria gramática e sintaxe. Muitos países têm sua própria linguagem nacional de sinais. Elas são bem distintas das linguagens faladas e geralmente não seguem a mesma distribuição geográfica. Muitas escolas, universidades e organizações oferecem aulas para todos os níveis de alunos.