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sábado, 20 de abril de 2019

Todos o Surdo é Mudo?

Todo o surdo é mudo? Este é um mito que surgiu ainda na antiguidade quando, por falta de conhecimento científico e técnicas que trabalhassem a fala em pessoas sem audição, se pensava que os surdostambém eram mudos.



Pessoas mudas não conseguem utilizar o aparelho fonador para a comunicação. Foto: iStock, Getty Images



Como aprendemos a falar a partir da audição, é natural que uma pessoa não fale mesmo tendo uma laringe funcional e as cordas vocais em perfeitas condições. O fato é que, hoje, um surdo pode exercer a linguagem oral através de técnicas usadas em processo terapêutico fonoaudiológico.

Quem é mudo e quem é surdo/mudo

É considerado mudo aquele que não consegue fazer uso de seuaparelho fonador para falar ou para qualquer manifestação vocal.

Aqui, é importante salientar que uma pessoa pode ser muda temporariamente devido à condições psíquicas e também físicas. Uma pessoa que sofre de psicose, por exemplo, pode ficar muda por uma desordem psíquica, mas que, com tratamento adequado, volta a falar.

Já um paciente que se submete a uma laringectomia (procedimento que retira a laringe, órgão responsável pela produção sonora da fala), pode ficar mudo temporariamente e reaprender a falar usando a voz esofágica, uma técnica ensinada por um fonoaudiólogo, na qual o paciente projeta a voz pelo esôfago.

Surdo/mudo é a pessoa que não escuta e que também não tem uma laringe funcional, portanto, não consegue falar nem emitir sons. Tanto surdos quantos surdos/mudos têm a comunicação feita a partir da Linguagem Brasileiras de Sinais (Libras).

A importância da linguagem de sinais para um mudo

No próximo dia 23 de fevereiro, é comemorado o dia do surdo/mudo. A data serve para refletir sobre as políticas públicas de inclusão dessas pessoas, que podem chegar a 10 milhões no Brasil, e também da importância da linguagem de sinais.



A Libras é a principal forma de comunicação de pessoas surdas e mudas. O problema é que, quem não tem ou não convive com que tem a deficiência, não sabe como usar as mãos para se comunicar, tornando-se, assim, motivo para que o ouvinte falante exclua os surdos e os mudos do seu convívio social.

Essa atitude precisa mudar, mas ainda está longe de ganhar incentivo. Mesmo havendo estudos e indicação de especialistas de que a Libras deveria fazer parte do currículo do ensino infantil, momento onde a criança está mais apta a aprender, o governo está longe de incluir a linguagem de sinais no currículo das escolas.

Compreendendo o universo do surdo e do mudo

Além de serem excluídas da comunicação do mundo dos falantes/ouvintes, as pessoas surdas e mudas, não raro, são depreciadas e taxadas como sem cultura ou conhecimento.

Esse é outro mito que precisa ser extinto da sociedade para que essas pessoas sejam, de fato, incluídas. Um pessoa com mudez e um surdotêm capacidade intelectual como qualquer pessoa que ouve e fala.

O que difere são as oportunidades as quais são submetidos ao longo da vida. Daí a importância da inclusão social e de uma sociedade capacitada a lidar normalmente com pessoas que fogem o que se diz ser “normal”.





Gostou do artigo? Qual é a sua opinião sobre ele? Venha compartilhar suas experiências e tirar suas dúvidas no Fórum de Discussão Doutíssima!


sábado, 13 de abril de 2019

INCLUSÃO ESCOLAR DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA: CONCEPÇÕES DE PAIS E PROFESSORES

Silveira (2006), em sua dissertação de mestrado intitulada “Inclusão Escolar de Crianças com Deficiência Múltipla: Concepções de pais e professores” nos traz importantes reflexões da forma como esta inclusão esta ocorrendo na rede regular de ensino, vista tanto sob a ótica dos pais, quanto a dos professores.

Vários tópicos são abordados descrevendo toda uma pesquisa feita com pais e professores de indivíduos com múltiplas deficiências. Pela perspectiva dos pais, existem empecilhos para acreditar que no ensino regular possa ocorrer a inclusão, muitos apontam apenas para a questão da socialização, desconsiderando qualquer processo pedagógico efetivo a ser realizado. A questão da autonomia e limites para estas crianças, de certa forma, mostra-se muito deficiente, pois para a maioria dos pais, estes indivíduos são constantes bebês.

  Na questão dos professores em si, percebe-se que muitos, ainda, estão focados na questão do letramento e aquisições matemáticas, o que dificulta a questão de perceber as potencialidades dos indivíduos com múltiplas deficiências.

Entretanto, se for analisado todo o contexto pedagógico em que os educandos foram formados, pode-se perceber que os grandes enfoques geralmente são dados dentro destas perspectivas. Bem como, a própria questão das provas “Provinha Brasil” e “SAEB”, que são aplicadas pelos órgãos públicos primam pelos saberes voltados ao letramento e aquisições matemáticas. Onde ocorre a inclusão nestas provas?

Como considerações finais no seu artigo, Silveira (2006) elenca alguns tópicos que necessitam ser enfocados, tais como: - respeitar o indivíduo com necessidades educacionais especiais como alguém que tem uma história, concepção, percepção, crença, experiências e trajetórias especiais; - que pais e professores modifiquem seu discurso e passem a acreditar no desenvolvimento e na aprendizagem dos deficientes múltiplos; - formação profissional dos docentes, como preocupação central; - predisposição para receber o aluno e um espaço de interação entre todos os envolvidos no ensino aprendizagem dos deficientes múltiplos.



Diante de todos estes apontamentos, pensando em todas as dificuldades que permeiam em se ter um aluno com deficiências múltiplas dentro do ensino regular, mesmo assim, é possível. No artigo até se fez menção quanto a questão do stress que esses pais passam, pois dedicam-se várias horas do seu dia para esses indivíduos; então, que se não for pela questão de toda a proposta de inclusão, que se faça um bom trabalho pedagógico, pela própria questão da solidariedade para com estes pais e estes indivíduos.

A inclusão é um fato, não é algo que podemos estar tomando partido e pensando se sou a favor ou contra. Neste momento é um momento de reorganização, de fazer algo no diferente, pois as crianças já estão em sala de aula, são vidas humanas que são colocadas diante de nós e devemos tomar atitudes.

 De uma forma ou de outra temos pensamentos radicais que influenciam nossas ações e muitas vezes não temos direções certas para onde estamos indo e perplexos por ter alunos com necessidades educacionais especiais e não sabermos como conduzi-los. Contudo, acredito que existem dois caminhos: - primeiro: ficar parados, estáticos, culpando o governo, esperando que ele tome alguma postura, afinal de contas não foi ele quem inventou a inclusão? – segundo: ir à busca de novos rumos, paradigmas, de ações mais eficazes, de pensar que estamos construindo uma nova página da história e que devemos tomar alguma atitude, se interessar por novos pensamentos, novas maneiras de perceber a inclusão. Focalizar nossas ações para o que Silveira (2006) nos alertou: - a formação dos professores, mas dentro deste tópico acredito que essa formação não deva somente ser as que têm ocorrido nos últimos tempos, “a formação de informação[1]”.



O professor é sempre questionado, é sempre o culpado, se as coisas dão certo, é o contexto, mas se não dão é o professor. O professor, muitas vezes, é visto como super-homem, mas na verdade ele é um sujeito. Ele passa, em média, quatro horas por dia com seus educando e dentro deste contexto, ele tem propriedade em mudar a ação pedagógica, quando percebe que as coisas não estão certas. As concepções do professor têm influência significativa sobre a sua prática pedagógica, são suas experiências anteriores positivas e negativas, a sua formação que vai construindo ao longo do caminho as suas concepções e são partes de si dentro da sala de aula.

Nesse sentido, percebo que dentro dessa formação do professor, a qual muitos autores tem se referido, falta o principal, ou seja, perceber o professor como sujeito e que ele necessita de apoio, não somente informativo, mas sim de apoio como pessoa. Penso que quando o sujeito está bem estruturalmente, ele consegue fazer um bom trabalho de inclusão, por que querendo ou não, as pessoas só são capazes de transmitir a outros aquilo que elas trazem consigo. Pois, conforme abordado no artigo, os pais destes indivíduos os percebem como bebês, então como é que estes pais “vão entregar seus bebês” a um professor que não consiga transmitir confiança de que fará um bom trabalho. Ou seja, que se faz necessário os professores melhorarem sua formação, isso nem se discute, é obvio, mas que também ocorram momentos de atendimento da figura de professor como sujeito, para que ele dessa forma consiga realizar um melhor trabalho e fazer crer que não é somente nas escolas especiais que os alunos com múltiplas deficiências terão um bom atendimento, mas dentro da rede regular de ensino também.


[1] Formação de informação, para mim seria aquela onde os professores tem ido somente para saber tipos de síndrome, características da mesma, recursos pedagógicos para potencializar as capacidades do indivíduo com necessidades especiais...


 

REFERÊNCIAS

SILVEIRA, Flávia Furtado. NEVES, Marisa Maria Brito da Justa Neves. Inclusão Escolar de Crianças com Deficiência múltipla: Concepção de Pais e Professores. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v.22, n.1, p.79-88, jan-abr. 2006.


sábado, 6 de abril de 2019

O que são doenças raras?

O que é uma doença rara?
Designam-se por doenças raras aquelas que afetam um pequeno número de pessoas quando comparado com a população em geral e são levantadas questões especificas relativamente à sua raridade. Na Europa, uma doença é considerada rara quando afeta 1 em 2.000 pessoas. Uma doença pode ser rara numa região, mas comum noutra. É o caso da talassemia, uma anemia de origem genética, que é rara no Nordeste da Europa, mas é frequente na região Mediterrânea. A “doença Periódica” é rara em França embora seja comum na Arménia. Existem também doenças frequentes que têm variantes raras.Quantas doenças raras são conhecidas?
Existem milhares de doenças raras. Atualmente são conhecidas seis a sete mil doenças e regularmente são descritas novas doenças na literatura médica. O número de doenças raras depende do grau de especificidade usado quando se classifica as diferentes entidades/patologia. Até ao momento, no campo da medicina, uma doença foi definida como uma alteração do estado de saúde, apresentando-se como um padrão único de sintomas com um único tratamento. Que o padrão seja considerado único, depende inteiramente do nível de definição da nossa avaliação. Quanto mais precisa a nossa avaliação, mais se notam certas nuances. Esta complexidade é refletida em várias classificações disponibilizadas pela Orphanet.Quais são as origens e as características das doenças raras?
Enquanto a maioria das doenças genéticas são raras, nem todas as doenças raras são causadas por alterações genéticas. Existem por exemplo doenças infecciosas muito raras, bem como doenças auto-imunes e cancros raros. Até ao momento para muitas doenças raras, a causa permanece ainda desconhecida.

As doenças raras são doenças crónicas e progressivas graves, muitas vezes com risco de vida. Para muitas doenças raras, os sintomas podem ser observados ao nascimento ou durante a infância, como é o caso da atrofia muscular espinhal proximal, neurofibromatose, osteogénese imperfeita, condrodisplasias ou síndrome de Rett, por exemplo. No entanto, mais de 50% das doenças raras manifestam-se na idade adulta, como é o caso das doenças de Huntington, Crohn e Charcot-Marie-Tooth, da esclerose lateral amiotrófica, do sarcoma de Kaposi ou do cancro da tiróideQuais são as consequências médicas e sociais da raridade destas doenças?
O campo das doenças raras sofre de um défice de conhecimentos médicos e científicos. Postas de parte durante muitos anos por médicos, cientistas e políticos não estavam conscientes das doenças raras e até muito recentemente não existiam programas políticos e de investigação científica no campo das doenças raras. Embora não haja um tratamento específico para muitas delas, a existência de cuidados adequados pode melhorar a qualidade e a esperança de vida dos doentes afetados e prolongar a sua esperança de vida. Têm sido feitos progressos fantásticos em algumas doenças, o que indica que não é tempo de desistir, mas sim de intensificar o esforço na investigação e na solidariedade social.

Os doentes afetados por estas doenças enfrentam dificuldades semelhantes na sua procura por um diagnóstico, informação relevante e orientação adequada para profissionais qualificados. Questões específicas são igualmente levantadas no acesso a cuidados de saúde de qualidade, apoio geral social e médico, ligação efetiva entre os hospitais e centros de saúde, bem como na integração profissional e social e na independência.

As pessoas afetadas por doenças raras estão mais vulneráveis do ponto de vista psicológico, social, económico e cultural. Estas dificuldades poderiam ser superadas pela existência de legislação adequada. Devido à falta de conhecimentos científicos e médicos eficazes, muitos doentes não são diagnosticados. As suas doenças permanecem por identificar. Estas pessoas são as que têm mais dificuldades em receber apoio apropriadoQual o progresso previsto para o diagnóstico e tratamento de doenças raras?
Para todas as doenças raras, a ciência consegue fornecer algumas respostas. Centenas de doenças raras podem agora ser diagnosticadas através de um simples teste biológico. O conhecimento da história natural destas doenças é otimizado pela criação de registos para algumas delas. Os investigadores estão cada vez mais a trabalhar através de redes, de forma a partilharem os resultados da sua investigação e avançando mais eficientemente. São levantadas mais esperanças com perspetivas oferecidas pelas legislações Europeia e nacionais (em muitos países Europeus) no campo das doenças raras.Como posso obter informação sobre uma doença em particular?
A Orphanet disponibiliza um inventário de doenças raras e informação relacionada para mais de 6000 destas doenças, bem como um diretório de recursos especializados nos países do consórcio.

domingo, 31 de março de 2019

Diga como agir com um cão guia?

Dica: Como Agir Com Um Cão Guia?
Abaixo iremos descrever como você deve agir quando encontrar um cão guia acompanhando seu dono cego.

1. Antes de mais nada, saiba que um cão guia é um cão de trabalho e não um bichinho de estimação. Quanto mais o ignorar, melhor será para o dono e para o próprio cão.

2. O comportamento e trato destes cães são totalmente diferentes dos outros cães e que deve ser respeitado em sua dupla função, de guia e fiel companheiro do dono.

3. Por favor, não toquem no cão e também não o acaricie quando encontrarem cão guia trabalhando, ou seja, quando estiver usando a guia. Se fizer isso, o cão poderá se distrair e esse cão jamais deve falhar.

4. Então, é melhor o ignorar. Mas não tenha medo! Os cães-guia são treinados e nunca seriam capazes de fazer mal, sem motivo.

5. Atenção! Se estiver acompanhado de um cão, por favor controle-o controle o para evitar que cause algum acidente quando passar ao lado de um cão guia juntamente de seu dono.

6. Por favor, não o ofereça alimentos. O dono já se encarrega disso com esmero. O cão guia está bem alimentado e possui horário certo para comer.

7. Quando se dirigir a uma pessoa cega, acompanhada de um cão-guia, fale diretamente com ela, e não para o cão.

8. Se um cego com cão-guia lhe pedir ajuda, aproxime-se pelo lado direito, de maneira que o cão fique à esquerda.

9.O dono então ordenará que o cão siga voce, ou lhe pedirá que lhe ofereça seu cotovelo esquerdo. Neste caso, usará uma senha para me indicar que estou temporariamente fora de serviço.

10. Se um cego com cão-guia lhe pedir informações, dê indicações claras do sentido em que deve dobrar ou seguir para chegar ao local.

11. Não se antecipe e nem pegue o braço de um cego acompanhado de um cão-guia, sem antes conversar. Muito menos toque na guia, pois a mesma é só para uso do cego que o cão acompanha.

12. Os cães-guia têm lugares e horários pré-determinados para fazer suas necessidades.

13. O cão-guia está habituado a viajar em todos os meios de transporte, acomodado aos pés do dono, sem atrapalhar os passageiros, tanto dentro como fora do país.

14. Em virtude do seu rigoroso treinamento, os cães-guia estão habituados e capacitados a entrar e permanecer junto aos seus donos em todos os tipos de estabelecimentos, tanto de saúde como em lojas, restaurantes, supermercados, cafeterias, cinemas, teatros, centros de estudo ou trabalho, etc. sem causar alterações no funcionamento normal dos mesmos, nem incomodar os funcionários ou o público.

15. Nos locais de trabalho, os usuários de cães-guia estão capacitados para exercer suas funções com eles ao seu lado. Devido ao treinamento que recebem os cães-guia nunca vagam pelos recintos, eles permanecem acomodados aos pés do dono. Os cães-guia têm o mesmo direito que seus donos, de gozar de livre acesso a todos os locais públicos.

16. Ajude a divulgar!!!

Obrigado meu amigo!

Esse texto encontra-se em forma de apresentação nos arquivos para download do Portal Mania Canina

domingo, 17 de março de 2019

BULLYING NÃO TEM GRAÇA

As frases acima são ditas com frequência por crianças e adolescentes que sofrem violência física e verbal de forma sistemática, normalmente na escola ou na internet. Seja pela aparência, por questões de gênero ou pelo simples fato de agir de maneira diferente dos padrões impostos pela sociedade, os motivos nunca parecem justificáveis. Trata-se do bullying (algo como “intimidação”, em inglês), e suas consequências podem gerar traumas e até levar ao suicídio. Segundo especialistas, a culpa pode ser dos adultos.

Um estudo sobre bullying realizado pela ONG Plan, em parceria com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (Ceats) aponta que, em 2010, cerca de 70% dos alunos brasileiros presenciaram algum colega ser maltratado ao menos uma vez na escola. Na Região Sudeste, o índice chega a 81%. A pesquisa foi feita com 25 escolas em todo o país e ouviu alunos de 10 a 15 anos de idade.

Para a psicóloga Rosely Sayão, a violência é crescente em todas as idades, mas a infância e adolescência precisam de mais atenção. “Estamos vivendo um momento social em que é preciso ser jovem e feliz a qualquer custo. Os adultos têm prioridade absoluta em si mesmos e estão ignorando cada vez suas responsabilidades”, afirma. “A ideia de infância tem desaparecido. Estamos tratando as crianças como adultos e ignorando suas necessidades.”

Violência na escola…

Quais as causas dos maus-tratos?

De acordo com a pesquisa da Plan, para a pergunta “por que você acha que alguns colegas maltratam outros?” as respostas mais frequentes dadas pelos alunos foram, em sequência: “porque querem ser populares, “não sei dizer”, “por brincadeira” e “querem dominar o grupo”. Os resultados revelam que “os maus-tratos entre colegas no ambiente escolar podem ocorrer porque o agressor é mais forte do que a vítima, a vítima não reage, a vítima é diferente, os agressores não são punidos pela escola, sentem-se provocados e acham que as vítimas merecem.”

Impaciência, intolerância e agressões. Dentro da sala de aula, esse comportamento, quando replicado, “é um respaldo do que a criança vive”, conforme aponta a supervisora de ensino Vanda Cronemberger, da Unidade Escolar Cipriano Vieira de Sá, no Piauí. “A responsabilidade dos pais é bem grande. Quando visitamos ou recebemos algumas famílias, notamos que dentro de casa falta educação, respeito e atenção. A criança é o reflexo disso. O comportamento dos filhos depende dos pais e da sociedade”, avalia.

De acordo com Vanda, há um ciclo de violência geracional, a criança convive com a violência na família, na escola e nas mídias (como TV e internet). Quando ela cresce em um ambiente hostil, continuará reproduzindo a agressividade. “Trabalhamos muito com essa questão em sala de aula. Nossos educadores vêm de uma longa caminhada em Direitos Humanos, mas percebemos que, de forma geral, muitos profissionais não têm formação necessária para lidar com situações de violência”, explica.


… e na internet

A pesquisa “Este Jovem Brasileiro”, realizada anualmente pelo Portal Educacional, mostra que as ofensas que começam na escola podem ir também para a internet e vice-versa. Ao entrevistar mais de 4 mil adolescentes, 300 pais e 60 profissionais da educação de 36 escolas, o estudo aponta que, diferentemente dos pais, os professores parecem perceber melhor os problemas sofridos pelas crianças e adolescentes no mundo virtual. Enquanto apenas 16% dos pais dizem que os filhos já tiveram problemas de bullying ou ofensas na internet, quase 64% dos professores detectaram casos entre os alunos. Ao todo, 73% também notaram conflitos em sala de aula causados por conteúdos publicados em redes sociais.

Para Rosely Sayão, a internet não é a vilã, mas os créditos pelo comportamento ofensivo são, novamente, dos adultos. “Se você parar para observar os comentários que os adultos fazem em qualquer tipo de conteúdo na internet, vai perceber que são violentos, jocosos, humilhantes. Se os jovens e adultos fazem isso, por que não as crianças e adolescentes?”, questiona.

A pesquisa aponta, ainda, que 23% dos adolescentes dizem já terem sido vítimas de insulto ou violência pela internet. Além disso, 16% já sofreram algum tipo de preconceito e 36% já ficaram tristes por problemas vividos no mundo virtual. A maioria dos estudantes concorda que a web facilita agressões, preconceitos e mentiras. Outros 37% disseram já ter agredido/ofendido alguém pela internet.

Esta mensagem pode ser ofensiva”

A Comissão de Educação da Câmara de Deputados aprovou, em julho deste ano, o Projeto de Lei 6504/13, proposta que obriga as escolas brasileiras a realizarem campanha contra o bullying. As ações devem ser anuais em todas as escolas de ensino fundamental e médio, com duração de uma semana, sempre na primeira quinzena de abril.

Em Pajeú do Piauí, pequena região do semiárido piauiense com apenas 3.363 habitantes, a escola Cipriano Vieira de Sá, da supervisora Vanda Cronemberge, já se adiantou. Com o projeto “Conte até 10 nas Escolas”, do Conselho Nacional do Ministério Público, a unidade escolar mostrou aos alunos, professores e colaboradores, por meio de oficinas lúdicas, as diversas formas de bullying e seus males na vida de crianças e adolescentes. “Essas campanhas devem ser obrigatórias, sim. Precisamos amenizar todo tipo de violência e valorizar mais a tolerância e a diversidade”, aponta Vanda.

As ações aconteceram em maio e junho. Todos os funcionários foram mobilizados para participar de aulas temáticas, programa de rádio na escola, peças de teatro, divulgação de panfletos e seminário aberto à comunidade. “Percebemos uma mudança de comportamento e também mais atenção dos educadores. A agressividade entre os alunos diminuiu bastante, há mais consciência também frente à situação de pressão e frustração”.

Outro exemplo positivo vem de uma estudante norte-americana de apenas 13 anos. Trisha Prabh criou o“Rethink” (do inglês “repense”), um software para reduzir o bullying na internet, principalmente em redes sociais.

Diferentemente de outras iniciativas que tentam bloquear o conteúdo postado, o Rethink, como o próprio nome afirma, sugere que a pessoa repense sua postagem na internet com o alerta: “Esta mensagem pode ser ofensiva. Você gostaria de revisar e repensar antes de postar?”.

O projeto foi um dos 15 escolhidos pela Feira de Ciências do Google deste ano. Pela pesquisa desenvolvida por Trisha na escola onde estuda, dos 750 testes aplicados aos estudantes, 93% deles decidiram não postar a mensagem ofensiva após a oportunidade de parar para ler novamente e repensar a publicação.


sábado, 16 de março de 2019

Tudo sobre Deficiência Intelectual

O Transtorno do Desenvolvimento Intelectual ou Deficiência Intelectual já foi conhecida por outras denominações, como por exemplo, idiotia e retardo mental. É caracterizado por limitações nas habilidades mentais gerais. Essas habilidades estão ligadas à inteligência, atividades que envolvem raciocínio, resolução de problemas e planejamento, entre outras. A inteligência é avaliada por meio do Quociente de Inteligência (QI) obtido por testes padronizados. O resultado de uma pessoa com Transtorno de Desenvolvimento Intelectual nessa avaliação situa-se em 75 ou menos.

Estatística

A prevalência é maior no sexo masculino, tanto nas populações de adultos quanto de crianças e adolescentes. As taxas variam conforme a renda. A maior prevalência ocorre em países de baixa e média renda onde as taxas são quase duas vezes maiores que nos países de alta renda.

Deficiência Intelectual – Principais Sintomas

Caracteriza-se por importantes limitações, tanto no funcionamento intelectual quanto no comportamento adaptativo, expresso nas habilidades conceituais, sociais e práticas. Indivíduos com Deficiência Intelectual apresentam funcionamento intelectual significativamente inferior à média. Possuem limitações significativas em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades:

Aprendizagem e autogestão em situações da vida, como cuidados pessoais, responsabilidades profissionais, controle do dinheiro, recreação, controle do próprio comportamento e organização em tarefas escolares e profissionais.ComunicaçãoHabilidades ligadas à linguagem, leitura, escrita, matemática, raciocínio, conhecimento, memóriaHabilidades sociais/interpessoais (habilidades ligadas à consciência das experiências alheias, empatia, habilidades com amizades, julgamento social e autorregulação)

A pessoa com Deficiência Intelectual tem dificuldade para aprender, entender e realizar atividades comuns para as outras pessoas. Muitas vezes, essa pessoa se comporta como se tivesse menos idade do que realmente tem.

Tratamento

A Deficiência Intelectual não é uma doença, e sim uma limitação. A pessoa com Deficiência Intelectual deve receber acompanhamento médico e estímulos, através de trabalhos terapêuticos com psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. As limitações podem ser superadas por meio da estimulação sistemática do desenvolvimento, adequações em situações pessoais, escolares, profissionais e sociais, além de oportunidades de inclusão social.

Instituições como a APAErealizam trabalhos eficientes no sentido de promover o diagnóstico, a prevenção e a inclusão da pessoa com Deficiência Intelectual.

Prevenção

A chance de uma criança desenvolver Deficiência Intelectual depende de diversos fatores relacionados à genética, acompanhamento da gestação, saúde da mãe durante a gravidez, ambiente familiar saudável na infância e adolescência, entre outros.

Alguns cuidados devem ser tomados, para evitar ou minimizar as consequências da Deficiência Intelectual na vida da pessoa:

Procurar aconselhamento genético, antes de engravidar, quando houver casos de deficiência intelectual na família, casamentos entre parentes ou idade materna avançada (maior que 35 anos).Fazer um acompanhamento pré-natal adequado para investigar possíveis infecções ou problemas maternos que podem ser tratados antes que ocorram danos ao feto.Manter uma alimentação saudável durante a gestação e evitar uso de bebidas alcoólicas, tabaco e outras drogas.Realizar o Teste do Pezinho – que é obrigatório no Brasil – assim que o bebê nascer. Esse teste é a maneira mais efetiva de detectar a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito, que se não forem devidamente tratados podem levar à Deficiência Intelectual.Seguir recomendações de vacinas.Oferecer ao bebê alimentação adequada e ambiente familiar saudável e estimulador, além de cuidados para tentar evitar acidentes na infância.Procurar um médico caso note algum problema no desenvolvimento e/ou crescimento da criança.

Níveis de Prevenção

Podem ser distinguidos três níveis de prevenção:

Primário, que se refere a um conjunto de abordagens que reduzem ou eliminam o risco de ocorrência da Deficiência Intelectual;Secundário, que visa o diagnóstico e tratamento precoces;Terciário, que procura limitar a deficiência

O papel do psicólogo

Um psicólogo especializado em transtornos de desenvolvimento e/ou neuropsicologia pode ser muito importante para o desenvolvimento da criança. A atuação do psicólogo deve ser pautada na avaliação do meio ambiente no qual a pessoa vive e
nas condições adaptativas da mesma de modo a prover uma intervenção em acordo com as demandas do paciente.

O trabalho do primeiramente englobar uma avaliação para fins educacionais, programas de habilidades sociais, planejamento de ensino, orientação e planejamento de atividades de vida diária, treinamento com profissionais, bem como abordagem a temas específicos como sexualidade e comportamento adaptativo.

Plataformas como a Vittude podem facilitar a busca por um psicólogo que atenda os requisitos específicos para atender pais e crianças que precisam de acompanhamento. Se você tem dúvidas com relação a algum diagnóstico, agende uma avaliação psicológica com um de nossos psicólogos.


sábado, 9 de março de 2019

Como lidar com Deficiência Física na escola

Adequar a estrutura do prédio da escola é primordial para receber alunos com deficiência física. Rampas, elevadores (quando necessário), corrimões e banheiros adaptados atendem às crianças com diferentes dificuldades de locomoção.

Os padrões ideais para acessibilidade em prédios e edificações são definidos pelo documento da Associação Brasileira de Normas Técnicas "NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos".

Quer saber como organizar uma escola inclusiva? Veja o infográfico que preparamos.

Para facilitar a mobilidade dos alunos nas atividades desenvolvidas em sala, pode-se utilizar tecnologias assistivas ou aumentativas, como engrossadores de lápis, apoios para os braços, tesouras adaptadas e quadros magnéticos. Respeite o tempo de aprendizagem desses alunos, que podem demorar mais para executar determinadas tarefas, e conte sempre com a ajuda do Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Alguns alunos com deficiência física podem requerer cuidados especiais na hora de ir ao banheiro, necessitando de um acompanhante. Nos casos de hidrocefalia, é preciso que o professor observe o aparecimento de sintomas como vômitos e dores de cabeça, que podem significar problemas com a válvula implantada na cabeça da criança para conter o acúmulo de líquido.